Nesta segunda-feira, bombas e latas de lixo foram atacadas contra os oficiais ao redor da estação Hackney CentralConfrontos entre a polícia e manifestantes entraram no terceiro dia em Londres e atingiram o bairro de Hackney, que possui umas das maiores taxas de criminalidade do Reino Unido. Nesta segunda-feira, jovens lançaram bombas contra a polícia no leste da capital londrina e jogaram latas de lixo e carrinhos de supermercado na direção dos oficiais. Os policiais empurraram os manifestantes com escudos, conforme tentavam isolar uma área ao redor da estação Hackney Central.
Os confrontos ocorrem paralelamente ao encontro entre representantes da polícia e a ministra do Interior britânica, Theresa May, que encurtou uma viagem de férias para a reunião desta segunda-feira.
De acordo com a rede de televisão britânica BBC, os distúrbios se desencadearam depois de a polícia ter efetuado alguns registros na rua, o que causou a reação de um grupo de encapuzados que passou a enfrentar os agentes lançando pedras e garrafas.
As imagens aéreas da Rua Mare, uma das vias principais do bairro de Hackney, mostravam como os manifestantes utilizavam pedaços de madeira para quebrar vitrines e janelas de alguns ônibus. Uma unidade policial antidistúrbios confrontava o grupo, enquanto três helicópteros das forças de segurança sobrevoavam a região. Alguns manifestantes invadiram lojas, aparentemente para buscar objetos que pudessem jogar nos policiais.
A Scotland Yard (Polícia Metropolitana de Londres) disse que os incidentes começaram após um protesto pela morte de Mark Duggan, um jovem negro de 29 anos. Duggan foi morto por policiais na quinta-feira, em Tottenham, depois de ser abordado em um táxi por uma unidade que investiga crimes com armas de fogo no bairro. O jovem teria sido morto em um suposto tiroteio que também teria ferido um policial.
A assistente social Michelle Jackson, de 43 anos, disse à BBC que muitos ficaram descontentes em Tottenham, um bairro que abriga muitos imigrantes, depois que a polícia começou a dar declarações sobre Mark Duggan à imprensa, mas sem fornecer qualquer tipo de informações para a família do jovem morto.
"Eu conheço o homem que foi morto, ele era um sujeito muito bacana, e eles estão fazendo parecer como se fosse uma espécie de gangster envolvido em armas e em coisas desse tipo", afirmou Michelle. Segundo ela, a polícia não sabe lidar com os jovens negros de Tottenham, e muitas pessoas de diversas nacionalidades e etnias se juntaram ao tumulto de sábado.
Tumulto
Os manifestantes se reuniram para exigir respostas da polícia. Por volta das 20h de sábado (16h em Brasília), um tumulto começou e a polícia foi acionada. Alguns manifestantes jogaram bombas caseiras contra a polícia e alguns prédios. Um ônibus de dois andares, um supermercado, uma loja de carpetes e outros prédios foram incendiados.
Em seguida, a violência começou a se espalhar para bairros vizinhos e depois para outras áreas da cidade. Veículos da polícia foram atacados e grupos de dezenas de jovens saquearam e incendiaram lojas.
"Eles destruíram a (casa de apostas) William Hill, colocaram fogo em latas de lixo. Vi uma (loja de celulares) Vodafone saqueada, uma (loja de calçados) Footlocker saqueada e incendiada, vi um (supermercado) Marks & Spencer atacado", relatou o jornalista da BBC Paraic O'Brien, que estava em Brixton.
Jornalistas também disseram ter visto jovens lançando pedras e garrafas contra a polícia e até usando extintores de incêndio para impedir a aproximação dos policiais, enquanto eles saqueavam lojas. O repórter Andy Moore, da BBC, testemunhou as duas noites de violência e disse que elas tinham motivações bem diferentes. "O que pode ter sido iniciado em Tottenham por jovens ressentidos com o que eles viam como perseguição policial se tornou algo de natureza bem diferente. Na noite passada, havia uma impressão de que os saques, a violência e a desordem em Londres estavam sendo coordenados nos sites de mídia social", disse ele.
No domingo, a Scotland Yard prometeu uma "grande investigação" sobre o tumulto. Segundo a polícia, os investigadores vão colher o depoimento de testemunhas e averiguar as imagens das câmeras de circuito fechado.

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