O presidente egípcio Hosni Mubarak criou uma comissão para reformar a Constituição do país. O anúncio foi feito nesta terça-feira pelo vice-presidente Omar Suleiman, em um discurso exibido na TV. Segundo ele, um decreto foi assinado permitindo a formação do grupo "que vai revisar emendas constitucionais e as emendas legislativas solicitadas".
Na mesma fala, ele salientou que o Egito tem um plano e um cronograma para a transferência pacífica de poder e que o governo não perseguirá os manifestantes - que seguem acampados na Praça Tahrir, no centro do Cairo, pelo 15º dia consecutivo, exigindo a renúncia de Mubarak - que está no poder há 30 anos.
"O presidente recebeu bem o consenso nacional, confirmando que estamos colocando nossos pés no caminho certo para sairmos da crise atual", destacou Suleiman, após encontro com Mubarak. "Um mapa claro foi estabelecido com um cronograma para realizar a transferência pacífica e organizada de poder."
'Heróis' - Quem resiste levando adiante os protestos anti-Mubarak nas duas últimas semanas é descrito como "verdadeiro herói" pelo diretor regional de vendas do Google na capital egípcia, Wael Goneim, que chegou a ser preso em meio à revolta popular que explodiu em 25 de janeiro e foi solto na noite de segunda-feira. Ele ainda disse que "se Alá quiser, vamos limpar o país deste lixo".
Goneim foi detido por agentes policiais em 27 de janeiro em uma rua da capital egípcia pouco após escrever no Twitter: "Rezem pelo Egito. Estou preocupado porque parece que o governo planeja um crime de guerra amanhã e estamos dispostos a morrer". Ele é acusado de ter criado uma página no Facebook convidando a população a sair às ruas para protestar contra o presidente e ficou desaparecido durante todo esse tempo.
Na rede social, ele criou um grupo chamado Todos Somos Khaled Said - nome do jovem que, segundo organizações de direitos humanos, foi agredido até a morte em 7 de junho de 2010 por informantes policiais e agentes à paisana quando se encontrava em um cibercafé na cidade de Alexandria. Nesta terça, vários internautas expressaram no Facebook seu orgulho por Goneim, agradeceram por sua luta e alguns chegaram a trocar sua foto de perfil pela do jovem assassinado.
(Com agências EFE e France-Presse)

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