Dois reféns da guerrilha colombiana das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), cuja operação de resgate foi frustrada no último domingo, foram libertados nesta quarta-feira, no sul do país. O comandante da polícia Guillermo Solórzano e o cabo do Exército Salin San Miguel foram entregues à missão humanitária liderada pelo Comitê Internacional da Cruz Vermelha. Os dois ex-prisioneiros foram transportados até o aeroporto da cidade de Cali e devem seguir para a capital colombiana Bogotá, onde são esperados pelos seus familiares.
Mais cedo, o governo do presidente Juan Manuel Santos havia anunciado que as libertações ocorreriam nesta quarta, já que as condições meteorológicas para isso eram "excelentes". As Farc deveriam ter libertado Solórzano e San Miguel no último domingo, mas a entrega não pôde ser concluída. O governo de Santos denunciou que a operação falhou porque a guerrilha deu coordenadas erradas do local onde libertaria os dois sequestrados, embora o grupo terrorista negue as acusações.
O representante oficial para as entregas, Eduardo Pizarro, disse a jornalistas em Cali, 300 quilômetros a sudoeste de Bogotá, que a ex-senadora Piedad Córdoba chegaria pela manhã, tomando lugar em um dos helicópteros brasileiros que participam do resgate. Em seguida, eles já iriam para a zona onde deveriam ocorrer as libertações. Pizarro repetiu que a libertação de Solórzano e San Miguel não ocorreu no último domingo porque as Farc entregaram incorretamente as coordenadas de onde eles deveriam ser retirados - apenas o policial Carlos Ocampo foi libertado na operação que deveria resgatar os três.
Além da ex-senadora e de pilotos brasileiros, a comissão humanitária responsável pela operação desta quarta foi também integrada por delegados do Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICR). Solórzano, de 35 anos, foi sequestrado pelas Farc em junho de 2007. O cabo San Miguel, de 27 anos, foi capturado em maio de 2008. Desde janeiro de 2008 até a última sexta-feira, as Farc já entregaram 18 sequestrados, entre políticos e membros das forças de segurança.
Suspeitas - O presidente Santos afirmou, em entrevista à rede CNN em espanhol, que os rebeldes poderiam ter aproveitado no domingo a suspensão das operações militares na área para transportar rebeldes feridos ou mobilizar líderes, como seu comandante, Alfonso Cano. "É possível que estejam utilizando isso para fazer movimentos táticos do ponto de vista militar", afirmou o presidente. Porém, nesta quarta-feira, os terroristas publicaram um comunicado no qual reiteraram a disposição em realizar as libertações.
"Infelizmente, no dia anterior, por razões que estamos investigando, não foi possível completar a libertação unilateral da totalidade dos prisioneiros de guerra anunciados", sustentou a guerrilha. “Desde o momento em que foi feito o anúncio público da libertação não cessaram os combates diários com o Exército na zona onde permanecem os prisioneiros, o major Solórzano e cabo Salín Sanmiguel". O comunicado, assinado pelo Bloco Móvel Arturo Ruiz das Farc, está datado nas "Montanhas da Colômbia" em 14 de fevereiro, um dia após a frustrada libertação de Solórzano, major da Polícia, e Sanmiguel, cabo do Exército.
Segundo as Farc, a região "é a mesma" onde ambos seriam entregues à ex-senadora Piedad Córdoba e cujas coordenadas, em uma área limítrofe entre os departamentos de Valle del Cauca e Cauca, no sudoeste do país, seriam "transmitidas em breve". A operação humanitária para concretizar as libertações começou na quarta-feira passada com a entrega do vereador Marcos Baquero e continuou na sexta-feira com a soltura do também vereador Armando Acuña e do fuzileiro naval Henry López.
(Com agências France-Presse e Estado)

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