O Egito amanheceu em relativa calma nesta sexta-feira (4), 11º dia dos protestos sem precedentes contra o governo de Hosni Mubarak, no que a oposição vem chamando de "Dia da Saída". Os oposicionistas pressionam para que o presidente deixe o poder ainda nesta sexta, depois de quase 30 anos no governo.
Os egípcios estão reunidos orando na praça Tahrir, no centro do Cairo, e em outros pontos da capital e das principais cidades, antes de iniciarem os protestos contra o regime.
A oposição pediu que todos fossem às ruas, apesar dos confrontos dos dois dias anteriores, em uma nova tentativa de, como na terça-feira, levar um milhão de pessoas às ruas do país. Eles querem marchar até o palácio presidencial para pedir a saída de Mubarak.
"É um movimento egípcio. Todo mundo participou, tanto muçulmanos como cristãos, para exigir os direitos que lhes roubaram", disse o imã que liderou a oração, identificado como Khaled al Marakbi pelos fiéis reunidos nessa praça central, onde estão atrincherados há 11 dias os opositores do presidente Hosni Mubarak.
O imã chorou durante a oração na qual se lembrou dos mortos. Tão logo acabou a cerimônia, as pessoas começaram a gritar "vá embora, vá embora já" para pedir a renúncia do presidente, de 82 anos, que leva 30 anos no poder.
Negociação
O ministro da Defesa, Mohamed Husein Tantaui, foi à praça para negociar.
O ministro da Defesa, Mohamed Husein Tantaui, foi à praça para negociar.
Cercado por soldados, ele discursou e voltou a garantir que Mubarak não vai tentar a reeleição em setembro.
O ministro reiterou o pedido dos principais líderes do país a um diálogo com a oposição e citou especialmente o Guia Supremo da Irmandade Muçulmana - o grupo mais articulado dos adversários de Mubarak - Mohamed Badi.
A Irmandade Muçulmana está preparada para iniciar conversas de transição, mas só depois da renúncia de Mubarak, afirmou o guia supremo Mohammed Badie à TV Al Jazeera.
A situação no Cairo, especialmente no centro da cidade, parece ser tranquila, e não há registros de novos tiroteios e confrontos.
Os disparos foram feitos por supostos partidários do regime de Mubarak, concentrados em volta da Praça Tahrir, onde fazem guarda milhares de militantes da oposição para manter acesa a chama da revolta popular que começou em 25 de janeiro.
Na quinta-feira, houve vários choques entre partidários do regime e manifestantes contrários a Mubarak, especialmente nos arredores da praça Tahrir, o que causou a morte de mais três pessoas, segundo fontes oficiais.
Pressão internacional
Ao mesmo tempo, cresce a pressão internacional para a saída de Mubarak, antes considerado um fator de estabilidade para a região e um aliado do Ocidente.
Ao mesmo tempo, cresce a pressão internacional para a saída de Mubarak, antes considerado um fator de estabilidade para a região e um aliado do Ocidente.
O governo Obama estaria discutindo com autoridades egípcias uma proposta de renúncia imediata de Mubarak, segundo o site do jornal ‘New York Times’.
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